A máquina sempre tinha que quebrar na minha vez da fila do sorvete e logo na minha vez de jogar Mortal Kombat a mãe do coleguinha irritada sempre berrava: “Tá na hora do almoço, vamos já acabar com isso!” Sem falar das vezes que “Senhor, o sistema acaba de sair do ar” ou das vezes que distraído “Ei! Vai lá, é a sua vez cara!”.
E será que logo na minha vez de viver, o mundo tinha que estar na era do “pós-tudo”? — Pós clímax, pós ápice, pós emoções — E logo na minha vez de viver o teu amor, você tinha que já ter vivido tantos outros? Cansada, desapaixonada e conformada.
Você se esgotou feito “O Último Homem” de Fukuyama, que atingiu o último estágio do amor liberal. E eu aqui, subversivo no amor, guerrilhei contigo carregando progressos e revoluções na alma. No entanto, preocupada com o manter da ordem social no teu Estado, você resistiu fortemente às minhas utopias.
E por alguns dias, eu até implementei uma comuna de Paris no teu coração, mas no gozo da experiência socialista, fui ingênuo em dispensar minhas guardas e fui dizimado pela força do teu Estado de espírito absoluto.
Cansado e já no fim das forças, marchei pelo Canal do Leblon cantando “Eu que já quero mais ser um vencedor levo a vida devagar pra não faltar amor…” e retirei minhas últimas tropas que ainda ocupavam os arredores do teu peito.
Não há vergonha alguma em desistir de um amor reacionário, nem há derrota quando se preza a própria vida companheiros. Por isso, quem quiser morrer de amor que morra, quem quiser morrer pela revolução que morra, desde que a causa valha a pena e a luta não seja vã.

1 comentários:
Obrigada, um abraço carinhoso.
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